24 de Janeiro de 2018, por:

Uma breve história do carnaval potiguar

Bloco arrasta foliões em Ponta Negra. Foto: Claudio Abdon.

Foi ainda no século XIX que trazido do Rio de Janeiro, os festejos carnavalescos desembarcaram no Rio Grande do Norte. A princípio a festa era expressa em manifestações populares como os folguedos e o chamado entrudo, onde os foliões sujavam uns aos outros com farinha, areia e muitos baldes d’água. Essa combinação daria início ao carnaval moderno que conhecemos hoje.

Um dos primeiros registros históricos de comemoração carnavalesca na capital potiguar remonta ao ano de 1877. Dando seus primeiros passos na Ribeira, um dos mais tradicionais bairros de Natal, o carnaval natalense começou com desfiles de carros, como os famosos corsos, representando a elite da cidade, em contraponto às manifestações populares que tomavam as ruas. Havia também a celebração de grupos étnicos como os índios, que mostravam toda sua ritualidade durante os festejos.

Desfile de escolas de samba e tribos de índios na Ribeira. Foto: Alex Régis

Já o bairro das Rocas acabou se transformando no berço do samba natalense, abrigando as principais agremiações do gênero, como as escolas de samba Balanço do Morro, Malandros do Samba, Asa Branca e Batuque do Morro. Com origens na década de 30 e vivenciando um período de auge nas décadas seguintes, o samba das rocas mantém-se vivo até os dias atuais, como mostra essa matéria publicada aqui no Som Sem Plugs.

Entre as décadas de 40 e 50, a capital potiguar viveu o auge de seus tradicionais bailes de carnaval. Os chamados baile de máscaras eram sediados em espaços como o teatro Alberto Maranhão; o antigo Natal Clube, onde hoje fica o CCAB-Norte; além do Clube de Radioamadores e do Aeroclube. Essa tradição também é mantida viva até hoje, celebrada, por exemplo, no baile máscara do largo do Atheneu, que abre oficialmente a programação do carnaval em Natal.

E foi das ruas que surgiram os principais elementos de toda essa festa. Os blocos, em toda sua diversidade, começam a ganhar destaque a partir dos anos 60, quando Natal recebe massiva influência dos frevos e marchinhas pernambucanas.  Após um grande hiato carnavalesco nos anos 80 e 90, a festa de momo retornou às ruas natalenses que hoje em dia conta com uma vasta programação cultural no chamado carnaval multicultural de Natal. São vários blocos e shows que se estendem por todos os dias de folia e arrastam um bom público pelas ruas da cidade, mantendo acesa a tradição carnavalesca.

Caicó e a folia seridoense

Bloco do Magão é o mais famoso de Caicó. Foto: http://blogdoserido.com.br

Atraindo uma média de 70 mil pessoas para as suas ruas, o carnaval de Caicó é considerado a terceira maior festa da região nordeste, ficando atrás apenas de Salvador e Olinda. A história da festa, a exemplo do que aconteceu em Natal, também passou de uma evolução do entrudo.

Um grande marco no carnaval da cidade é o surgimento do Caicó Esporte Clube nos anos 30. Isso permitiu que a população pudesse se integrar aos festejos, antes reservados à elite da cidade em seus suntuosos bailes privados. Um dos primeiros blocos caicoenses retrata muito bem a questão de classes. Era o chamado “bloco do lixo” com seus instrumentos feitos de material reciclado, como latas, pedras e pedaços de madeira, além de fantasias simples.

Caicó também recebeu forte influência pernambucana e foram criadas as “Ala Ursas”. Cada bairro da cidade tinha a própria agremiação. A mais famosa delas acabou ficando conhecido como o Bloco do Magão. Em razão da recente visita do Som Sem Plugs ao Seridó, a nossa equipe bateu um papo com o Ronaldo Batista de Sales, o Magão que conta a história das origens do bloco, que você pode ler aqui.

Entre tantos temas folclóricos, o carnaval de caicó conta com a tradição das “burrinhas do padre”, uma alusão à lenda homônima da mula-sem-cabeça; o boneco gigante do Zé Pereira que sai no domingo de carnaval; e as virgens onde tradicionalmente os homens e mulheres se travestem.

Atualmente, além do frevo nas ruas da cidade puxado pelos blocos e manifestações populares, o carnaval de Caicó também conta com grandes atrações nacionais em programação musical noturna na Ilha de Santana. Isso faz com que o destino se torne ainda mais atrativo para os foliões e consolide cada vez mais Caicó como um dos maiores carnavais da região.

Das tunas aos trios: o carnaval em Macau

 

Foliões ao som do trio em Macau. Foto: Canindé Soares.

Com suas Tunas, estilo de agremiações musicais “importadas” de Portugal, o carnaval em Macau, na costa branca potiguar, passou a viver forte efervescência a partir dos anos 30. Nas ruas havia a disputa entre os grupos que, apesar de se apresentarem na cidade ao longo do ano, viam no carnaval sua momento de maior popularidade.

Nas ruas, as tunas tocavam marchinhas, mas também se apresentavam com músicas de baile em diversos espaços da cidade durante os dias de carnaval, como no Clube Macau, Clube Militar e Clube Melco.

Ao sair pelas ruas, as tunas eram acompanhadas pela população fantasiada. Boa parte do carnaval em Macau era baseado na manifestação espontânea dos moradores, tendo como o desfile das tunas o ponto alto de animação durante os festejos.

Logo também o frevo e os blocos de rua foram incorporados ao carnaval macauense, que hoje em dia disputa com Caicó o posto de maior carnaval do estado. Uma das maiores tradições e e marca do carnaval local é o mela-mela, onde os foliões se melam com mel de engenho.

Figura marcante do carnaval de Macau, o compositor e cantor Leão Neto foi um dos artistas selecionados pela edital musica é energia no ano passado. O músico conta sua relação e influência dos festejos macauense sobre sua arte, em entrevista exclusiva para o Som Sem Plugs.

Com diversas opções de shows durante todos os dias de carnaval, um dos destaques atualmente são os trios elétricos. Voltados para sonoridade da música baiana,  os trios arrastam uma verdadeira multidão pela cidade, que não descansa até o carnaval terminar.