19 de Abril de 2017, por:

Museu resgata a história indígena de Apodi

Pintura “A dança dos tapuias” de Albert Eckhout. 1641. Museu Nacional da Dinamarca, Copenhague.

Inaugurado em fevereiro de 2013, o Museu Luiza Cantofa em Apodi, região oeste potiguar, é considerado o primeiro museu indígena do estado. Idealizado e mantido por Lúcia Maria Tavares, a instituição tem como objetivo resgatar a história dos Tapuias Paiacus, grupo indígena que habitava a região compreendida entre o rio Açu, na Chapada do Apodi e o baixo Jaguaribe no Ceará.

Fachada do Museu Luiza Cantofa. Foto: facebook.

Segundo Lúcia, atual liderança das famílias Tapuias Paiacus em Apodi, estimados como os primeiros habitantes da cidade, o museu é um sonho que vem desde criança e presta homenagem à Luiza Canto fazer.  Patrona da instituição, Luiza foi uma antiga guerreira e líder indígena da tribo que foi brutalmente assassinada em 1825 na cidade de Portalegre.

“Sempre pensei em ter o museu para romper um silêncio que dura 200 anos e mostrar que nossa família ainda existe. Fomos obrigados a nos calar para não sermos dizimados. A luta é para mostrar que o Rio Grande do Norte não é um cemitério indígena”, explica Lúcia.

O acervo foi montado através de pesquisa em documentos antigos onde Lúcia encontrou relatos do seu povo que costumava viver às margens de lagoas e rios e de famílias que mantinham objetos de seus avós e bisavós. Atualmente o acervo disponível ao público contem peças líticas como machadinhas, pilões, gargantilhas, cachimbos e outros objetos que possuem de centenas à milhares anos de idade.

Acervo do Museu Luiza Cantofa. Foto: Facebook.

O museu funciona na própria residência de Lúcia onde também é o Centro Histórico Cultural Tapuia Paiacus que recebe alunos, professores e outros visitantes e está no mapa do turismo da cidade. Atualmente está sendo aberta também uma biblioteca que leva o nome do cacique Tuchaua Itau que viveu na região no século XVII. Lúcia espera apoio do poder público para que possa expandir o museu que tem tido uma boa resposta do público.

“O museu tem sido muito bem aceito. É uma necessidade da educação em nosso estado, pois carece de pontos de memórias que se referem aos povos primitivos, senhores natos do continente americano”, explica Lúcia.

Com o museu, Lúcia espera resgatar grandes histórias de seu povo que conflui com a história indígena do nordeste brasileiro, como a Confederação dos Cariris que resistiu por 40 anos durante a ocupação portuguesa e grandes líderes como o Cacique Janduí, considerado um verdadeiro rei da região.

As histórias de resistência do passado servem de inspiração para a resistência no presente. Lúcia integra a união das lideranças indígenas que protestam contra a proposta de fechamento da Coordenação Técnica Local da Fundação Nacional do Índio no Estado (FUNAI/RN). Mesmo com o movimento sendo dura reprimido no início do mês abril, mês em que se comemora nacionalmente o dia do índio, Lúcia diz que não vai desistir da luta.

Lucia em protesto contra o fechamento da CLT FUNAI/RN. Foto: Diogo Ferreira.

“Temos um grito da alma guerreira que incomoda o falso estado democrático de direito, uma vez que o mesmo delimita até aonde iremos. Isso me faz gritar bem mais alto, onde quer que eu vá o ecoar da minha alma irão escutar”, enfatiza.

Quem tiver interesse de visitar o museu ele fica localizado na Rua Antônio Lopes Filho, nº 105, na cidade de Apodi/RN. Para agendar visitas e mais informações tratar com a própria Lúcia pelo telefone 9914-2282 ou por meio da fanpage do museu AQUI.