20 de fevereiro de 2020, por:

Entrevista: Bandíssima comemora ótimo começo de temporada no Som Sem Plugs

A temporada 2020 do Som Sem Plugs não poderia ter começado de forma melhor. Em clima de carnaval, a Bandíssima foi escalada como atração de estreia. O clipe contou com um pré-lançamento de luxo durante o Arena Nosso Carnaval, no Arena das Dunas. A produção teve excelente repercussão nas redes sociais alcançando dezenas de milhares de pessoas e a resposta foi amplamente positiva.

É nessa pegada de véspera de carnaval e com uma agente bem cheia, que Camila Pedrassoli, uma das fundadoras da Bandíssima, comemora esse momento intenso. Confira abaixo a entrevista que fizemos com ela, onde comenta sobre outras coisas, como foi abrir essa temporada no Som Sem Plugs.

O que é o Bloquíssimo, como surgiu?

O Bloquíssimo é um bloco LGBT, um bloco inclusivo que saiu as ruas no dia primeiro de fevereiro, e tendo a primeira edição dentro da programação da Arena nosso Carnaval. Tinha um trio elétrico e um pranchão com uma banda só de mulheres, que é a nossa Bandíssima, e contou com convidados especiais como Priscila Freire, Analuh Soares, Camila Masiso, Alice Carvalho, Neli, Amanda Duarte e Juliana Linhares. A gente começou o projeto por causa do Bloquíssimo. O Rafael Fernando, um dos idealizadores, sentou com a gente pra produzir, pois a gente tem uma produtora (Guria Produtora) e acabou surgindo a sugestão de um cortejo, com uma banda só de mulheres influentes na música daqui, que seguiria até o arena, além de fazer oficinas de percussão e canto para mulheres. A ideia foi tão boa e deu tanta liga que formamos a Bandíssima e em pouco tempo já saiu uma música autoral gravada que foi “Se ela deixar”. Convidamos a Alice Carvalho parar colocar o poema na música, que é uma composição minha e de Tiquinha Rodrigues, e essa foi a origem da Bandíssima.

O que achei interessante é que tem pessoas de várias vertentes no grupo ou contribuindo com ele. São produtoras, escritoras, atrizes, musicistas, realizadoras da área cultural em geral. Como isso tudo se traduz em produção musical?

O fato da gente reunir todas essas mulheres de diferentes espaços dentro da arte mostra mais ainda a questão da representatividade, e acima de tudo do respeito. Estamos falando a mesma língua quando fazemos música, fazemos a banda acontecer. Pra nós é justamente isso a tal da representatividade. Somos mulheres diferentes, mas estamos ocupando o mesmo espaço, atrás dessa mesmo poder de fala e que a gente consegue com a música.

Também somos musicalmente diferentes. A maioria vem do rock. Tiquinha vem do clássico e também do popular. Então acaba que a gente aprende muito uma com a outra e estamos unidas pra tocar um outro ritmo. A Bandíssima faz um axé funk rock, que foi como eu intitulei. Cada uma colabora de um jeito pra nossa identidade, com os arranjos com uma pegada mais a nossa cara e tem dado certo. Sobretudo a gente quer festejar, celebrar de uma forma que seja popular, e que a mensagem chegue longe, sem perder a identidade.

Como foi a experiência de gravar com o Som sem Plugs na Balanço do Morro, um dos locais mais tradicionais do ponto de vista da história carnavalesca de Natal?

Foi uma ótima surpresa porque inicialmente a gravação seria no Centro Histórico, como no Beco da Lama, Rua Chile, e foi aí que surgiu a ideia do balanço do morro. Foi perfeito, porque a gente tinha espaço pra todas as meninas parceiras do cortejo, o grupo do batuque de mulheres, que faz parte do do Grupo Afirmativo de Mulheres Independentes da Redinha, que foi um dos grupos com qual a gente se uniu pra fazer as oficinas de canto e percussão e o resultado final foi o cortejo e a gravação do clipe. Você vê ali mulheres de todas as idades, de diferentes classes sociais, reunidas pra fazer música. Foi uma experiência muito única e foi a primeira vez que a banda tocou ao vivo, a energia foi ótima e é aquilo que está muito bem exposto no vídeo. A equipe do Som Sem Plugs captou muito bem a nossa vibe. Foi muito gratificante ter conseguido fazer essa parceria num momento tão importante, pois a gente precisa da voz, as coisas estão acontecendo e não dá pra gente fingir que não é desigual, que não tem preconceito e eu acho que a junção desses dois projetos é de uma grande potência.

A repercussão do clipe foi muito boa, contando com pré-lançamento em uma noite especial e boas marcas nas redes sociais. Como a Bandíssima se sente com essa resposta?

Ter conseguido tudo isso, mostra como todas as pessoas realmente estavam comprometidas. O processo inteiro durou três semanas, que foi da gente sentar e o Felipe (Campos, diretor do Som Sem Plugs) me ligar e combinar tudo, fechar com a equipe. Fechamos mais ou menos ali os elementos de cena, o figurino… Depois na outra semana já gravamos e na outra já finalizou e já lançou, então foi realmente rápido assim. A equipe da guria Produtora, a equipe do Batuque de Mulheres e do Grupo afirmativo de mulheres independentes produziram o figurino de um dia pro outro de todas elas. As mulheres do Cortejo fizeram as capas também em dois dias, então foi comprometimento mesmo. Muito bom ver a repercussão assim tão calorosa, a gente consegue enxergar que realmente o que a gente investiu ali de energia, de amor e de calor valeu a pena. O vídeo tá quente. A música tá quente, tá muito massa.

A meu ver, a cada ano o carnaval de Natal tem melhorado. Não só mais atrações nas ruas, mas também foliões que antes saiam da cidade nesse período, agora ficam pra curtir aqui. A Bandíssima aposta nessa retomada do carnaval de Natal? Estão prontas pra folia?Que mensagem a Bandíssima gostaria de deixar para as pessoas que vão pular carnaval? (e as que não vão também).

Eu nunca imaginei que eu estaria tão pronta pra curtir um carnaval como eu tô agora. Faço parte da equipe de direção de palco do de alguns palcos do carnaval organizado pela Prefeitura de Natal, então a gente tem aí uma responsabilidade o equivalente a dezessete dias de evento, separados nos diversos polos. Então a gente já tem uma função muito grande e com a banda tá uma loucura, mas a gente tá conseguindo conciliar. Os ensaios são maravilhosos. Teremos participação da nossa querida Dani Cruz, e a gente se apresenta no Polo Petrópolis, no sábado. A gente tá muito feliz com o convite. Na outra semana a gente também vai tocar na FUNCARTE na ressaca de carnaval e a gente tá muito contente com isso.

Esperamos que nesse carnaval as pessoas tenham consciência de curtir com respeito ao próximo, a gente tem que ter essa consciência de que a gente não pode se meter no amor alheio. A gente tem que viver a nossa vida com respeito ao próximo acima de tudo e essa é a mensagem que a gente quer deixar pra esse carnaval. Vamos respeitar, vamos se amar. Vamos se curtir, mas com respeito, principalmente as mulheres, né, se ela deixar estamos aí querendo… se ela deixar!