24 de junho de 2020, por:

Elino Julião: depoimentos contam vivência com o artista

Foto: Divulgação.

O especial de São João do Som Sem Plugs que estreou nesta terça-feira (23) homenageia Elino Julião, um dos mais notáveis músicos potiguares. Elino deu seus primeiros passos na extinta Rádio Poti, ainda na década de 50, na capital potiguar, após deixar  Timbaúba dos Batistas, sua terra natal no seridó potiguar.

Foi na rádio natalense que veio a conhecer Jackson do Pandeiro, seu primeiro grande parceiro, que o levou para o Rio de Janeiro. Trabalhando junto de Jackson como ritmista, Elino selou uma grande amizade que o levou a tocar por todo o o Brasil e abriu as portas para que gravasse seus primeiros sucessos e composições como “Rela Buxo”, “Puxando Fogo” e “Xodó do Motorista”.

Trabalhou com grandes nomes da música como Pedro Sertanejo, Zé Gonzaga e o rei do baião Luiz Gonzaga, com quem chegou a morar junto e colaborou junto ao programa “Chapéu de couro” da TV Cultura. Ao longo de sua gloriosa carreira lançou mais de 40 discos e produziu mais de 700 músicas.  Sua capacidade de transformar o cotidiano e o regionalismo em seu autêntico forró pé-de-serra, o tornaram praticamente sinônimo de São João.

Conversamos com os músicos potiguares Jubileu Filho e Zé Hilton, que participarão junto à Khrystal do primeiro video especial de São João,  e com o engenheiro de som Jota Marciano, que faz parte da equipe Som Sem Plugs. Eles trabalharam e tiveram boa vivência com Elino Julião e contam como foi a experiência de colaborar com um dos mais celebres artistas potiguares de todos os tempos.

Jubileu Filho

Minha convivência com o Elino começou 1998 quando eu fui convidado  pra produzir um disco dele chamado “Canto do Seridó volume um”. Eu não conhecia e vim conhece-lo nessa gravação. Foi então que mergulhei mais na obra dele e vi realmente quem ele era, fiquei muito surpreso assim com a história, a divisão artística dele.  Ele tanto era conhecido como cantor de forró, como cantor de brega. Tinha uma jogada na gravadora que ele era contratado, que lá pra região norte, mandava os seus disco de brega e aqui pro nordeste em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, eram distribuídos seus discos de forró. Então ela ele tem essa dupla musical, muito interessante e era muito bom nos dois estilos.

Elino era uma pessoa fantástica, carinhosa e o o a empatia foi imediata assim que a gente se conheceu. Depois disso eu produzi mais cinco CDs dele juntamente com o Zé Hilton e quando ele faleceu, em 2006, a gente tava no meio do processo de um novo CD. Ficam as boas lembranças, né? Quando a gente gravou “Canto do Seridó” eu montei uma super banda pra gente fazer a turnê de São João, a gente excursionou em Campina Grande, Mossoró, cidade junina, em Timbaúba dos batistas que era a terra natal dele e foi muito legal. É um figura importante demais pra nossa música.

Na época desse trabalho ele tava meio que no anonimato, pois fazia tempo que ele não gravava um disco. E foi um disco e tanto, teve participações de Elba Ramalho, de Fagner, Maciel Melo, Isaac Galvão, sanfoneiros renomados, como Dominguinhos, Oswaldinho do Acordeon, Marco Farias, Marinês. Foi um trabalho que que deu um novo gás na carreira dele e eu tenho muito orgulho e me sinto muito privilegiado de ter participado desse momento de sua vida. É uma figura maravilhosa que tenho muita saudade. E é isso, vamos celebrar Elino Julião sempre!

Zé Hilton

Eu trabalhei com Elino bastante tempo.  Comecei a trabalhar com ele lá pelos idos anos 2000, a convite da Fundação José Augusto para gravar o “Canto do Seridó volume um” em que Jubileu Filho fazia a parte musical e a direção e os arranjos. A gente chegou até fazer uma viagem pra Portugal e fundação lançou um CD que teve várias participações de Dominguinhos, Oswaldinho, Xangai, Zeca baleiro, Lenine, Fagner, Elba Ramalho, Isaac Galvão e foi onde eu  tive uma experiência diferenciada, participei desse disco também gravando e acompanhando em cinco ou seis faixa e a partir daí eu fiquei tocando com o seu Elino Julião.

Fis muitos shows com ele e posteriormente a gente gravou outros disco e também comecei a produzir junto com o jubileu Filho também. Acho que eu gravei aí uns cinco discos dele por aí e depois nos tornamos grandes amigos independente de nossa relação profissional. Ele sempre foi muito gente boa, uma pessoa muito espetacular. Sempre com um sorriso no rosto, sempre atendendo todo mundo muito bem, então foi uma experiência muito importante pra mim poder conviver com uma pessoa dessa, aprendi muito com ele. Viajei muito com ele, inclusive  pra Timbaúba dos Batistas, sua terra natal, onde a gente tocou muito em festas, as vezes só em trio pé-de-serra.

Essa vivência com Elino me fez desenvolver mais minha musicalidade. Acompanhando aquele forró pé de serra tradicional, que eu sempre gostei de tocar,  e pude executando mas com frequência, quando trabalhei Elino. Tocamos em muitos São João, a gente gostava de tomar uma uma lapadinha, que seu Elino dizia ser uma “chamadinha de cana”, uma hora antes do show, pra se animar. Então, a experiência que eu tive foi das melhores. Aprendi muito, tanto sobre o forró quanto sobre a vida. Adorava ouvir suas histórias durante as viagens. Foi uma passagem de enorme alegria pra mim.

Jota Marciano

Eu produzi os últimos quatro discos da carreira de Elino. Cheguei a viajar por dois períodos de São João com ele, trabalhando como técnico de som, tive muitas vivências boas ali. Ele era uma pessoa maravilhosa e assim, foi bem legal.  Inclusive,  na sexta-feira, quando ele faleceu na madrugada do dia 20 de maio de 2006, ele tava gravando disco novo no meu estúdio. Ele foi pra casa e sentiu tudo mal e faleceu, infelizmente.Era uma grande pessoa e tive o prazer de conviver com ele. Inclusive cheguei a tocar percussão nos discos que foram gente produzidos  junto com Zé Hilton e o Jubileu Filho, como o “Rela Bucho”, “Mulher quem manda” e “Dentro do movimento”, e pra mim foi um grande privilégio participar dessa história.

Especial

Aproveita e assista abaixo à primeira parte do Especial São João do Som Sem Plugs com tributo a Elino Julião. Khrystal, Jubileu Filho e Zé Hilton, acompanhados de Sérgio Preto no baixo e Wagner Tsé na percussão tocam “Na sombra do juazeiro”.