8 de abril de 2020, por:

Dudu Galvão: do Clowns ao Jazz

Foto: Diego Marcel

Estrela da última produção aqui do Som Sem Plugs, o cantor Dudu Galvão começou sua carreira artística em cima dos palcos do teatro. Foi nos bastidores da gravação na Casa da Ribeira que o artista contou sobre sua trajetória em direção à música.

Durante sua graduação em educação artística pela UFRN, Dudu teve sua primeira experiência nos palcos com o Clowns de Shakespeare, um dos principais grupos teatrais de Natal. “Fiz uma oficina do Clowns em 2005, e dois anos depois fui convidado a substituir um ator durante uma turnê de um espetáculo”, conta.

O convite foi aceito prontamente, e Dudu teve a oportunidade de viajar com o grupo. “Eu era fã deles, foi minha primeira experiência profissional e naquele momento em particular o grupo estava passando por um boom, rodando o Brasil todo”, lembra.

Dudu aproveitou toda a experiência e estrutura do Clowns pra se formar lá dentro junto dos diversos profissionais que lá trabalhavam. “Lidava com diretores musicais, coreógrafos, preparadores vocais, músicos e foi aí que comecei a cantar. Isso chamou atenção das pessoas que me perguntavam se eu não tinha interesse em seguir uma carreira na música e eu passei a acreditar nisso”, revela.

Para testar se sua guinada a música daria certo, Dudu fez um evento especial no barracão do Clowns e convidou 20 amigos no ano de 2013. Dentre os convidados estava Henrique Fontes, diretor da Casa da Ribeira, que gostou muito da apresentação e convidou Dudu para tocar na virada cultural daquele ano.

Foi então que Dudu decidiu seguir em frente com seu projeto musical. De início contou com a parceria do pianista alemão Oswin Lohss, que na época estava fazendo trilha pro teatro e foi quem apresentou Dudu ao universo dos músicos locais.

Foto: Diego Marcel

Passou a tocar na noite ao estilo piano e voz, com um repertório de clássicos, e foi então que decidiu abraçar o jazz como estilo. “Desembocar no jazz foi algo natural, pois é um gênero que gosto muito e está muito atrelado a minha infância”, conta Dudu, que morou com sua família nos Estados Unidos e os standards do jazz eram a trilha sonora que seus pais ouviam.

De lá pra cá Dudu participou e produziu festivais, tocou em premiações, eventos e passou a ter sua carreira musical reconhecida, mas sem abandonar o teatro.

“Não deixo o teatro, me identifico muito, quero continuar até o resto da minha vida, deixando as duas atividades em parelelo. Vejo que as duas coisas estão se equilibrando, mas como meu sustento vem do teatro, é pra ele que dou prioridade. Ultimamente a música está abrindo novos espaços e a briga está ficando mais feia”, explica.

Voltar a Casa da Ribeira para a gravação do clipe do Som Sem Plugs é um momento de enorme satisfação para Dudu.

“Nada mais oportuno de juntar essas duas coisas em uma produção de um videoclipe. Pra mim é a relização de um sonho. Estou gravando uma musica autoral, indicada pelo próprio som sem plugs, estou muito feliz, admiro muito o projeto que valoriza o artista local, então está sendo um privilégio fazer algo desse nível. Sou muito visual, é um presente trazer essa musica que fala sobre um amor platônico, tem uma poesia especial, e isso me deixa bem feliz”, celebra.

Dudu planeja lançar seu primeiro disco no começo do ano que vem, com oito a 10 faixas autorais e mais alguns covers. Para a materialização de mais esse passo na carreira musical espera contar com o apoio de leis incentivos. Até lá Dudu segue encantando com sua arte, como você pode conferir abaixo com a canção “Flor de Canela”