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Artistas {Liz Rosa}

Liz Rosa Liz Rosa

Quando Chico Buarque escreveu estas palavras para uma melodia de Tom Jobim, ele mal sabia que elas seriam proféticas para uma menina chamada Elis Rosa, que nasceria alguns anos depois, em Natal, Rio Grande do Norte. Ela cresceu alimentando-se da boa música brasileira e do jazz, e iniciou sua carreira pelo circuito potiguar, onde ganhou notoriedade. A sua determinação de artista levou-a a cumprir a sua sina: veio para o Rio de Janeiro em 2007, mudou seu nome artístico e agora lança seu primeiro CD, singelamente chamado “LIZ ROSA”, que tem em “A Violeira”, a tal canção de Chico e Tom, uma metáfora para a sua saga.

Dona de um timbre vocal marcante e interpretação vibrante, Liz impressiona com um disco que alia a força de seu canto , beleza instrumental e unidade de repertório. Curioso perceber que as canções do disco tem um “quê” de autobiográfico, mesmo Liz não sendo compositora de nenhuma das faixas. O disco abre com “Dois Tempos”, da ótima compositora – também potiguar – Khrystal, e já manda avisar: “mato meu leão todo dia prá não ver meu canto calado morrer”. Para Liz, amiga e admiradora de Khrystal, esta canção de letra contundente traduz a sua própria vida. Da mesma compositora ainda gravou mais duas faixas: “Morô ?”, feita especialmente para Liz, e “Na lama, na Lapa”, em parceria com a também potiguar Valéria Oliveira, onde canta os versos “esteja onde estiver deixa eu cantar o que eu quiser”. Liz chega, dá o recado e pede passagem.

O que dizer, por exemplo, de “De cabo a rabo”, de outro compositor e amigo de Natal, Roberto Taufic: “você vem de bossa e eu sou mais um baião” ? Mais uma vez estabelece-se o encontro entre os dois Rios – o “de Janeiro” e o “Grande do Norte”, cuja mistura resulta numa sonoridade de bom gosto raro, executada por um time de músicos talentosos, tanto cariocas quanto potiguares.

Aliás, Liz sabia desde o início o som que queria. Por esta razão deixou a produção musical nas mãos de Ricardo Silveira, músico de fino trato e de reconhecimento tanto nacional quanto internacional, que conferiu ao disco uma identidade musical da primeira à última faixa. E a influência do coco e do baião, nativas da interpretação de Liz, caem muito bem na onda samba-jazz que Ricardo estruturou para as canções. Ao final, o resultado ultrapassa estas fronteiras musicais, deixando uma atmosfera pop sofisticada ao longo de todo o trabalho, onde os arranjos, enxutos e inspirados, tem nos baixos, violões e guitarras os únicos instrumentos harmônicos. Nesta trajetória peculiar de Liz, como não poderia deixar de ser, o disco foi inteiramente gravado na ponte Rio-Natal.

Além dos arranjos, direção musical e belos solos de guitarra e violão ao longo das faixas, Ricardo contribuiu com duas canções para o disco: “Portal da Cor”, parceria com Milton Nascimento, onde a voz de Liz brilha segura e intensa, e “Cantiga boa”, antigo tema instrumental que ganhou uma letra esperta de Paulo Cesar Pinheiro e um arranjo de sopros (do próprio Ricardo) de tom “retrô” delicioso.

As faixas do disco privilegiam, majoritariamente, a ginga e o balanço, que Liz afirma refletirem melhor o momento “energético” que vive atualmente. E num disco com tal característica, não poderiam faltar dois dos seus compositores favoritos: Filó Machado e Djavan. Do primeiro trouxe “Jangada de João” (em outro excelente arranjo de sopros, desta vez a cargo do craque Jessé Sadoc); do segundo escolheu “Maçã”, um daqueles sambas que só o alagoano sabe fazer e pelo qual Liz soube passear com desenvoltura em sua interpretação. Nas poucas baladas presentes no disco, destacam-se “Tareco e Mariola”, do pernambucano Petrúcio Amorim, e “Velas Içadas”, de Ivan Lins e Vitor Martins, ambas pertencentes ao repertório da época das noites musicais em Natal. Nelas Liz confirma a versatilidade de sua veia interpretativa.

O disco, que ainda tem uma inédita de Joyce Moreno e Paulo Cesar Pinheiro (“Eu sou aquela”) e um clássico de João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio (“Coisa Feita”), é um marco entre os dez anos de carreira de Liz e uma nova fase que ela inicia a partir de agora. Durante esta caminhada, a flor se abriu. A partir deste desabrochar, onde conquistou espaço e admiradores através de sua música, Liz se mostra preparada para traçar seu caminho pelo mundo, munida de todas as qualidades artísticas que a tornaram uma artista diferente e com potencial para crescer ainda muito mais. Não tenham dúvidas: a saga da Rosa potiguar está apenas começando …

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